top of page

O olhar de um dramaturgo peregrino

  • há 3 dias
  • 1 min de leitura

CRÔNICAS DO NINHO DO CORVO


Do alto do Ninho do Corvo, o marinheiro não comandava o mar nem decidia os ventos. Sua missão era observar, reconhecer sinais e avisar aos demais o que surgia no horizonte. PERISCÓPIO nasce desse mesmo gesto: olhar o mundo sem a pretensão de dominá-lo.

Toda obra nasce de um ponto de partida, mas nem sempre permanece nele. Minha dramaturgia começou a peregrinar com SULH — A Nau das Diásporas. Na manhã de 20 de junho de 1575, quase três anos após a Noite de São Bartolomeu, a nau preparava-se para deixar o porto de Saint-Malo, na França. Seus personagens partiam em uma viagem cujo destino final seria decidido no Caribe. Mas, quando comecei a investigar as histórias que aqueles viajantes traziam consigo, a narrativa conduziu-me de volta à Península Ibérica de 1492, às diásporas e aos caminhos que deram origem ao ciclo Por um Reino de Seda.

Foi nesse movimento — entre tempos, territórios e memórias — que reconheci em mim o dramaturgo peregrino. Não como aquele que possui todas as respostas, mas como quem percorre histórias, observa seus sinais e compartilha o que consegue avistar.

PERISCÓPIO será esse posto de observação: um olhar lançado de Mato Grosso para o Brasil e para o mundo, em crônicas sobre cultura, memória, sociedade e os acontecimentos de nosso tempo.

 
 
 

Comentários


bottom of page